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30/10/20262 min de leitura

Não é preciso chegar com uma pergunta pronta

O que acontece na primeira sessão de terapia quando você não sabe por onde começar

Richard SampaioPsicólogo clínico • CRP 11/16658
Não é preciso chegar com uma pergunta pronta

Muita gente trava na porta antes mesmo de existir porta. Quer começar terapia, sente que alguma coisa pede cuidado, mas ainda não sabe dar nome ao que é. Aí aparece a pergunta que pode adiar esse começo: “Vou lá e falo o quê?”

A imagem que vem à cabeça pode ser pesada: entrar, sentar e precisar, logo de cara, pôr o problema em palavras certas. Algo organizado, com começo, meio e justificativa. Como se a terapia pedisse primeiro um relatório e só depois pudesse começar.

Mas a primeira sessão não é uma apresentação organizada do problema. É uma conversa. Você pode falar do que vier, do jeito que conseguir. Não há resposta certa nem um jeito único de começar. Você também não precisa provar que seu sofrimento é grave o bastante para pedir ajuda.

Às vezes, alguém chega dizendo: “Acho que nem preciso de terapia, porque, no papel, minha vida está em ordem.” Mas estar tudo aparentemente bem não impede que alguma coisa esteja incomodando. Há angústias difíceis de nomear, e falar sobre essa dificuldade pode ser um começo. A conversa não precisa estar clara desde o início.

Tem também quem ache que precisa decidir antes se a terapia vale a pena. Essa decisão não precisa estar toda tomada antes da primeira sessão. A conversa inicial também serve para conhecer como o trabalho funciona e perceber se faz sentido continuar.

Então, o que fazer quando você não sabe por onde começar? Não precisa se apressar. Você não precisa preparar um discurso, decorar sintomas ou montar uma cronologia da sua vida. Pode começar pelo que fez você procurar ajuda, mesmo que ainda esteja confuso.

A primeira conversa serve para duas coisas: você contar o que conseguir e conhecer como funciona o trabalho. Depois, vocês podem conversar sobre continuar ou não. Não é preciso sair com uma decisão pronta.

Quando me chamar, não precisa trazer perguntas prontas. Podemos começar pelo que for possível dizer.

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